Morte Súbita de Bebês

Catálogo de artigos teológicos, filosóficos, científicos e documentos públicos ou de domínio público

Morte Súbita de Bebês

Mensagempor » Ter Jul 29, 2008 10:22 am


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SIDS — um receio diário dos pais
“A morte súbita e inesperada de um bebê aparentemente saudável é, provavelmente, o acontecimento mais doloroso e devastador que pode sobrevir a um casal jovem — todavia, na sociedade ocidental, também é a espécie mais comum de morte de bebês, depois da primeira semana de vida.” — Professor Bernard Knight, em “Sudden Death in Infancy— The ‘Cot Death’ Syndrome” (A Morte Súbita na Infância — A Síndrome da ‘Morte no Berço’).

ERAM 4 horas da manhã de 22 de dezembro de 1984. Ken Eberline enfiou a cabeça no quarto para ver como estava passando Katie, de sete meses. A pequenina Katie era a primeira filhinha, orgulho e alegria de Ken e Tottie, que tinham pouco mais de 30 anos. O bebê dormia em paz. Ken estava de saída. Ele tinha uma longa distância a percorrer de carro até Las Cruces, no estado de Novo México, EUA, para ministrar um seminário.
Tottie levantou-se às 7,30 horas e foi ver como Katie estava. Katie estava estranhamente silenciosa. Tottie olhou de novo, tocou nela, e de imediato notou que tinha acontecido o pior. Katie estava morta. Fora vítima da morte súbita no berço, ou SIDS (sigla, em inglês, da Síndrome da Morte Súbita do Bebê). Esta morte súbita e silenciosa surpreende milhares de famílias, todo ano.


Um Médico-legista Compassivo
Qual foi a reação de Tottie e de Ken diante de sua perda? Tottie disse a Despertai!: “Assim que discerni o que tinha acontecido, telefonei para 911, os serviços de emergência. Os paramédicos e a polícia logo vieram, junto com um médico-legista. Eles todos foram muito bondosos e compassivos. Naturalmente, surgiram dúvidas em minha mente — o que eu havia feito ou deixara de fazer que poderia ter causado isto?

“O médico-legista acalmou os meus receios. Explicou que ele tinha perdido um filho nas mesmas circunstâncias, nove anos antes. ‘Não havia nada que a senhora pudesse ter feito como prevenção’, ele me garantiu. ‘Mesmo que a senhora tivesse ficado de pé ao lado do bercinho, com um monitor, não poderia salvá-la.’ Acrescentou: ‘Não se pode prevê-la, e não há meios de prevenção. Em certos casos, tudo simplesmente acontece de imediato, e, na atualidade, não se têm meios de saber a causa disso.’ Estou certa de que as observações dele me pouparam de muitos sentimentos de culpa e de auto-incriminação.”
Como foi que Ken e Tottie enfrentaram sua perda? Um artigo posterior responderá isso. Mas, existem outras perguntas para as quais todo genitor de um bebezinho quer respostas: O que causa a SIDS? Existem quaisquer sinais alertadores? Há prevenção contra ela?


SIDS — tenta-se descobrir os sintomas e as causas
“A síndrome de morte súbita do bebê (SIDS) é responsável por aproximadamente 2 mortes em cada 1.000 nativivos, nos Estados Unidos, resultando em 7.500 a 10.000 mortes anuais.” — Revista “The New England Journal of Medicine”, 30 de abril de 1987.

FOI somente nos anos recentes que a SIDS tornou-se conhecida como definição de uma causa de morte. Nas gerações anteriores, este tipo de morte era encoberto no meio de todas as demais estatísticas das existentes causas múltiplas da morte de bebês. Os avanços da ciência médica eliminaram atualmente tantas das causas anteriores de mortes de bebês que a SIDS agora sobressai — tanto assim que foi somente em 1979 que a Organização Mundial da Saúde incluiu a categoria da “Morte súbita do bebê” em sua Classificação Internacional de Moléstias. Todavia, alguns peritos médicos julgam que podem encontrar exemplos daquilo que nós agora chamamos de SIDS já desde os tempos bíblicos!

Eles citam o caso das duas mulheres que compareceram perante o Rei Salomão, cada uma afirmando ser a mãe dum bebê vivo, em vez daquele que tinha morrido porque a mãe “se deitara sobre ele”. (1 Reis 3:16-27) Conforme escreve o patologista Bernard Knight: “Até bem recentemente, deitar sobre a criança era a crença clássica quanto à causa da morte súbita no berço.” No entanto, há um fator que torna duvidoso que a Bíblia descreva ali um caso de SIDS — o bebê morreu quando tinha apenas três dias, “o que é muito pouca idade para uma verdadeira morte súbita do bebê”, de acordo com Knight.
Ao passo que é verdade que alguns bebês morreram por terem sido acidentalmente sufocados pela mãe que dormia, também é verdade que muitos destes casos, no decorrer dos séculos, foram o que, hoje em dia, é chamado de síndrome da morte súbita do bebê.


O Mistério da SIDS
A SIDS é um problema mundial. Calcula-se, por exemplo, que de 1.000 a 2.000 bebês morram por ano na Grã-Bretanha, sendo sua morte classificada como SIDS. Nos países desenvolvidos a média é de cerca de um bebê para cada 500. À base duma estimativa de aumento da população mundial de 83 milhões por ano, isso representa, pelo menos, 166.000 mortes anualmente. Mas também subentende milhões de pais preocupados, que alimentam aquele temor secreto. Conforme confessou Phyllis, uma mãe de Nova Iorque, de seus 30 e poucos anos: “Toda vez que ponho meu bebê para dormir, eu oro para que ele acorde de novo.”

A SIDS continua a deixar perplexos os pesquisadores médicos e os patologistas. Um artigo publicado na revista Pediatrics recentemente considerava a SIDS em gêmeos. Examinaram-se trinta e dois casos, e “não se descobriu nenhuma causa de morte, apesar de completos exames post-mortem”. Dez outros casos de SIDS em gêmeos foram pesquisados por clínicas universitárias em Antuérpia, em Paris e em Ruão. O que se descobriu? “A causa da SIDS continuou inexplicada, depois de uma autópsia completa.” Continua a existir a causa, ou as causas, misteriosas.
No entanto, segundo outro comunicado médico, em 11 de 42 pares comparados, “a futura vítima da SIDS apresentava um peso inferior em mais de 300 gramas ao de seu irmão (irmã) que continuou vivo”. A conclusão foi a de que os únicos itens que diferençavam os bebês vítimas da SIDS dos bebês usados como controle eram “peso e altura médios inferiores ao nascer, a ocorrência prévia de cianose [pele e mucosas azuladas, devido à falta de oxigênio no sangue], ou a lividez durante o sono, e a recorrente e profusa sudorese noturna.

Em seu informe sobre 16 casos de SIDS na Inglaterra, um grupo de médicos declarou: “A SIDS geralmente ocorre entre 1 a 6 meses de idade, com um auge entre os 2 a 4 meses. . . . Outros fatores previamente comunicados como estando associados à SIDS são um histórico maternal de fumo durante a gravidez, a pouca idade da mãe por ocasião do parto, a condição de solteira, a família grande, [e] baixa condição socioeconômica.” Acrescentam: “A SIDS é também notificada com mais freqüência em bebezinhos do sexo masculino e ocorre mais durante os meses do outono e do inverno.” No entanto, Bernard Knight acautela: “Deve-se enfatizar que a morte súbita do bebê pode ocorrer — e ocorre mesmo — em qualquer família, sem se considerar sua posição na hierarquia social.”


Patologistas Tentam Desvendar o Mistério.
Quando morre um bebê sem nenhuma causa óbvia, o médico-legista geralmente chama um patologista para examinar o corpo, e para realizar uma autópsia. A razão disto é tentar determinar a causa exata da morte e utilizar este conhecimento na prevenção de casos futuros. O que foi que os patologistas descobriram em muitos destes casos?

Com o decorrer dos anos, seguiram-se diferentes pistas. Houve tempo em que a SIDS era atribuída ao sufocamento com travesseiros, pela roupa de cama, e pela postura. Isso foi rejeitado quando se provou que os bebês normalmente se esforçam para sair de qualquer posição que os sufoque. E as roupas de cama são geralmente porosas o suficiente para permitir a respiração. Daí, pensava-se que as mamadeiras e o uso de leite de vaca fossem a causa. Mas os bebês amamentados ao peito também morriam de SIDS. Por longo tempo, culpou-se a apnéia do sono, ou a respiração interrompida. Atualmente já se abandonou isto quase que totalmente como causa primária.

Há alguns anos, alguns patologistas “realmente criam que a infecção respiratória era a causa subjacente da morte . . . Embora hoje em dia [em 1983] se julgue que a infecção seja o que a provoca, em vez de a causa subjacente, não resta dúvida de que um quadro clínico de inflamação branda das vias respiratórias acha-se envolvido em grande número de casos da SIDS”. — Sudden Death in Infancy.

O Professor Knight conclui que “agora parece óbvio que não existe apenas uma causa singular da morte súbita no berço”, mas que “diversos fatores passam a apresentar-se de forma simultânea num determinado bebê, em determinado momento, e provocam a sua morte. Conhecemos alguns destes fatores, mas não outros”. Assim, o trabalho de detetive continua, à medida que se procuram outros indícios. Recentemente, contudo, fez-se uma nova descoberta.


Alteração da Hemoglobina — Causa ou, Sintoma?
Este passo à frente foi comunicado na revista The New England Journal of Medicine, de 30 de abril de 1987. Declarava: “A elevação prolongada dos níveis da hemoglobina fetal (hemoglobina F) em bebezinhos com SIDS poderia indicar um transporte comprometido de oxigênio para locais dos tecidos sensíveis.” O informe indicava que, depois do nascimento dum bebê, existe uma substituição normal da hemoglobina fetal pela hemoglobina A produzida pelo corpo do bebê — assim, a sua própria hemoglobina transportadora de oxigênio. Nas vítimas da SIDS, significativo número de vítimas ainda apresentava elevada proporção da hemoglobina fetal menos eficaz do que o normal. Assim, que conclusão tiraram os médicos?
“Nossa interpretação desta descoberta é de que os bebês com SIDS se caracterizam por marcante demora na troca de hemoglobina F para hemoglobina A — fenômeno que pode refletir um quadro clínico crônico subjacente.” Por que isto acontece? “A razão da persistência anormal da hemoglobina F é incerta.”

Embora eles não encarassem isto como uma causa da SIDS, eles o consideraram deveras como um marcador útil através do qual selecionar os bebês que poderiam estar mais propensos à SIDS, “especialmente aqueles que passam das 50 semanas da idade pós-concepcional”.
Os médicos que deram origem a tal estudo declararam que “os estudos da SIDS sugerem uma associação com o baixo peso ao nascer, a prematuridade, e o crescimento *********, e o fumo materno”.

Este último ponto é digno de comentários. O Dr. Bernard Knight, da Universidade do País de Gales, em Cardiff, escreveu: “Tem-se mostrado haver uma ligação bem forte do fumo com a SIDS, embora, também neste caso, seja difícil saber-se se este é um vínculo direto ou simplesmente uma ligação com fatores sociais.” Entretanto, ele cita estatísticas reveladoras. Numa pesquisa feita com 50.000 nativivos na cidade de Cardiff, a taxa de SIDS para as mães que não fumavam, ou que deixaram de fumar, era de 1,18 por 1.000 nativivos. Mas, para as mães que fumavam mais de 20 cigarros por dia, o total saltou para 5,62 para cada 1.000 nativivos — um aumento de cinco vezes!
Há mães que perguntam: “Que dizer da amamentação ao peito? Será que isso dá ao bebê maior proteção contra a SIDS?” O Dr. Bergman, destacado nos Estados Unidos no campo das pesquisas da SIDS, declarou: “Acontece que eu creio na amamentação ao peito e acho que é melhor, por um monte de razões; mas não acho que se deva dar a entender às pessoas, que perderam bebês devido à morte súbita no berço, que seu bebê ainda estaria vivo se elas tão-somente o tivessem amamentado ao peito.”

Em vista do precedente, existe algo que os pais possam fazer para desfazer a ameaça da SIDS? Existem meios de prevenção?


Pais Vistos com Suspeição
O enigma que cerca as mortes pela SIDS às vezes tem provocado dor e sofrimento desnecessários aos pais. Como assim? Porque as demais pessoas, inclusive, às vezes, os policiais e o pessoal médico, têm encarado a morte como altamente suspeitosa, especialmente quando ocorre simultaneamente no caso de gêmeos. E segundo uma pesquisa que abrangia mais de 47.000 mortes em Cardiff, no País de Gales, entre 1965 e 1977, houve um aumento quíntuplo no risco de SIDS no caso de gêmeos. O Dr. John E. Smialek, colaborando na revista médica Pediatrics, comunicou dois casos excepcionais que ocorreram com cinco anos de intervalo no Condado de Wayne, Missouri, e em Detroit, Michigan, EUA.

Declara ele: “O anúncio das mortes do primeiro par de gêmeos resultou numa atmosfera de intensa suspeição para com os pais . . . por parte de membros da comunidade médica e de outras pessoas leigas que não estavam a par da existência deste fenômeno [SIDS].” Pode-se compreender isto com facilidade quando nos lembramos de que a SIDS só recebeu grande publicidade desde 1975, quando o Governo dos EUA deu apoio a programas de informação e de aconselhamento sobre o assunto. Quando um caso similar de gêmeos com SIDS aconteceu em Detroit, cinco anos depois, houve muito menos suspeita. Os profissionais e o público estavam ficando informados.

Todavia, até mesmo agora, quando se sabe muito mais sobre o assunto, o Dr. Smialek admite: “Embora a SIDS seja agora amplamente aceita como um quadro clínico que os pais não têm meios de prever ou de prevenir, a ocorrência de mortes simultâneas de bebezinhos gêmeos é um fenômeno que ainda suscita perplexidade e suspeição.”

Mas por que os gêmeos seriam mais suscetíveis à SIDS? Responde o patologista Bernard Knight: “Muitas vezes, eles são prematuros e não raro nascem com peso inferior ao normal. Mui freqüentemente precisam passar a primeira parte da vida em unidades de cuidados especiais, nos hospitais-maternidades. . . . Todos estes fatores os tornam mais vulneráveis à morte súbita do bebê.”


SIDS — há meios de prevenção?
“Nos anos recentes, têm-se empregado, cada vez mais, os recursos de monitoramento doméstico de bebês julgados de alto risco quanto à síndrome da morte súbita do bebê (SIDS), na tentativa de impedir a morte súbita do bebê.” — Revista “Pediatrics” de junho de 1986.

TEM-SE usado cada vez mais o monitoramento doméstico, mas será este um meio de prevenção da SIDS? Milhares de pais já usaram ou estão usando monitores domésticos. O monitor, ligado ao bebê, dá um sinal alertador quando existe ameaçadora irregularidade nos batimentos cardíacos ou na respiração. A revista Science News informa que calculadamente de 40.000 a 45.000 monitores domésticos são utilizados nos Estados Unidos, e de 10.000 a 15.000 outros são fabricados a cada ano. Visto que o período de perigo é o primeiro ano de vida, o monitor não precisa ser utilizado durante anos. Mas são tais aparelhos realmente eficazes em salvar vidas?

O Dr. Ehud Krongrad e Linda O‘Neill, enfermeira registrada, do Hospital Infantil da Universidade de Colúmbia, Nova Iorque, EUA, estudaram 20 bebês considerados de alto risco. O estudo feito por eles indica ser extremamente difícil identificar com exatidão um bebê que corre risco, e, assim sendo, que realmente careça dum monitor doméstico. Declararam: “Não há disponível nenhum teste que indique, com alto grau de especificidade ou de sensibilidade, ou com razoável valor de predição, que um bebê seja de alto risco.”

Eles argumentam que os pais são, naturalmente, muito subjetivos em diagnosticar as reações do filhinho, e declaram: “A maioria dos sinais alarmantes percebidos pelos pais como sendo verdadeiros sinais ligados a alterações físicas não é acompanhada pela instabilidade elétrica cardíaca.” Com efeito, seus dados “sugerem que a imensa maioria de bebês que têm morte súbita e inesperada não mostra quaisquer sintomas observáveis e/ou clinicamente úteis.” Como resultado disso, George A. Little, da Faculdade de Medicina de Dartmouth, declarou: “Se os critérios no informe do painel de consenso forem aplicados pelos médicos, eu preveria significativa queda do uso do monitor doméstico para evitar a apnéia infantil.”

Esta conclusão serve para apoiar o conselho do médico-legista para Tottie, citada em nosso artigo inicial: “Não havia nada que a senhora pudesse ter feito como prevenção. Mesmo que a senhora tivesse ficado de pé ao lado do bercinho, com um monitor, não poderia salvá-la. Não se pode prevê-la, e não há meios de prevenção. Em certos casos, tudo simplesmente acontece de imediato, e, na atualidade, não se têm meios de saber a causa disso.” Infelizmente, em muitos campos, a ciência e a medicina não dispõem de todas as respostas, e a SIDS é um de tais campos.

Outro fator a se ter presente é que os monitores domésticos são aparelhos elétricos, e, por conseguinte, conforme declarado num artigo da revista Pediatrics, “os profissionais da saúde e os consumidores precisam estar cônscios de que a presença dum monitor num lar apresenta riscos potenciais, especialmente quando há na casa uma criança pequena, ou uma criança em idade pré-escolar”. Um cabo solto é uma tentação para qualquer criança, e uma conexão ao alcance das mãos pode ser um próximo passo simples para uma eletrocução ou um acidente com queimaduras. Por conseguinte, onde se utiliza um monitor doméstico, é mister exercer extrema cautela quando existem outras crianças por perto.


Bebês Que Quase Morrem
Um bebê que quase morre é um que parou de respirar e se encontra aparentemente morto, mas é socorrido a tempo. Talvez o pai ou a mãe observou subitamente que o bebê parou de respirar, e o agarrou para sair correndo em busca de socorro, ou a fim de ir com urgência para o hospital mais próximo. Houve casos em que esse gesto e movimento súbitos restauraram os batimentos cardíacos e a respiração do bebê, e ele foi salvo, sem haver necessidade de qualquer massagem cardíaca ou de RCP (ressuscitação cardiopulmonar).

Em alguns casos, estas situações de quase morte têm sido observadas em bebês que, por fim, morreram de SIDS. A Dra. Marie Valdes Da pena afirma que ‘bebês que quase morrem correm risco especial de sofrer morte súbita’. Assim, os médicos deduzem que “estas funções respiratórias e cardíacas relacionam-se com o sistema nervoso autônomo, e parece quase certo que os bebês vítimas de SIDS, e da morte súbita no berço em potencial, sofrem de alguma disfunção desta parte automática do sistema nervoso central”. Mas a causa permanece um mistério.

Assim, a SIDS é utilizada para definir a morte dum bebê em circunstâncias inexplicadas. Uma autópsia deixa de apresentar uma razão ou causa válida para tal morte. E, no estágio atual das pesquisas e das investigações, a SIDS não pode geralmente ser predita nem existe prevenção para ela. De modo que, quando morre um bebê — seja de SIDS ou de qualquer outra causa — como podem os pais suportar tal perda? Como podem eles enfrentar seu pesar?


SIDS — como enfrentar o pesar
A MORTE súbita do bebê é uma tragédia devastadora. Um bebê sob todos os aspectos normal, saudável, deixa de despertar. Isso é algo totalmente inesperado, pois quem imaginaria que um bebê morresse antes dos pais? Um bebê que se tornou o foco do infindável amor materno se torna, subitamente, o motivo de infindável pesar para sua mãe.

Começam a aflorar sentimentos de culpa. Os pais se julgam responsáveis pela morte, como se esta fosse devida a alguma negligência. Eles se perguntam: ‘Que poderíamos ter feito para impedi-la?’ Em alguns casos, o marido, sem qualquer base, poderia até inconscientemente culpar a esposa. Quando ele foi trabalhar, o bebê estava vivo e saudável. Quando chegou a casa, tinha morrido em seu bercinho! Então, o que é que sua esposa estava fazendo? Onde estava ela nessa ocasião? Estas dúvidas desarrazoadas precisam ser esclarecidas, de modo a não provocar tensão no casamento.

Tottie, mencionada em nosso artigo inicial, atravessou uma fase difícil. Diz ela: “Se eu não tiver cuidado, ainda terei crises de culpa e de depressão. Mentalmente, tenho de mudar de marcha rapidamente, e sair desse modo improdutivo de pensar. A oração me tem sido de grande ajuda, uma vez que tenho pedido ajuda para reconhecer meus próprios processos de raciocínio e para me ajudar a pensar de forma mais positiva.”

Como podem outras pessoas ajudá-los a enfrentar seu pesar? Tottie deu prontamente a resposta: “Alguns agem como se Katie jamais tivesse existido. Quem dera que eles compreendessem que, efetivamente, você deseja falar sobre seu ente querido! Falar é terapêutico. Katie sempre será para nós uma filhinha querida, e queremos lembrar-nos dela, e não esquecê-la. Assim, por que ter receio de falar sobre ela?”

Por outro lado, nem todos os pais desejam falar sobre seu falecido filho. Isso é algo que o visitante tem de discernir.


Livrar-se Pouco a Pouco do Pesar
As reações de pesar variam de uma pessoa para outra, e de cultura em cultura. Um estudo da SIDS, nos Estados Unidos, verificou que para os pais, em média, são necessários três anos “para se recuperar o nível de felicidade pessoal [que eles] sentiam possuir antes da morte”.
Doug, analista de sistemas, e Anne, ambos agora com pouco mais de 40 anos, perderam a pequenina Rachel há 12 anos. Isto foi quando a SIDS ainda era relativamente desconhecida. Embora um médico tivesse examinado o bebê no dia anterior, o policial que veio cuidar do caso insistiu que o médico-legista pedisse uma autópsia. Afirma Anne: “Naquele momento, não questionamos tal decisão. Foi somente depois que descobrimos que o policial tinha observado marcas azuis na garganta de Rachel, e suspeitava de que tivesse havido abuso de menor! Segundo revelado, o quadro clínico era simples evidência da morte, chamada livor mortis — duas manchas de sangue que se formam e que parecem contusões. A autópsia não apresentou nenhuma razão da morte, e, por fim, foi declarada como morte súbita do bebê.”

Como foi que Doug e Anne encararam tal perda? Explica Doug: “Eu estava no Salão do Reino quando um amigo me disse que queriam que eu fosse com urgência para casa. Quando cheguei a casa, fiquei sabendo do pior. Não conseguia acreditar nisso. Tinha sido a última pessoa a tocar em Rachel naquela noite. Agora, ela estava morta. Eu não agüentei e comecei a chorar, junto com Anne. Foi a única ocasião em que chorei.” Despertai!: “Que dizer do enterro? Como isso os atingiu?”

“O surpreendente foi que, no enterro, nem eu nem Anne choramos. Todo os outros choraram.” Anne então entrou no meio: “Sim, mas eu tenho chorado o bastante por nós dois. Acho que realmente senti o pleno impacto algumas semanas depois da tragédia, quando finalmente fiquei sozinha em casa, um dia. Chorei o dia inteiro. Mas creio que isso me ajudou. Eu me senti melhor depois disso. Eu tinha de prantear a perda de minha filhinha. Realmente creio que se deve deixar que as pessoas pesarosas chorem. Embora se trate de uma reação natural da parte dos outros dizer ‘Não chore’, isso realmente não ajuda em nada.”

Despertai!: “Como foi que outras pessoas os ajudaram a atravessar essa crise? E que coisas não ajudam em nada?”

Anne respondeu: “Uma amiga veio e fez a faxina da casa sem que eu lhe dissesse uma única palavra. Outros prepararam refeições para nós. Alguns ajudaram simplesmente por me abraçar — sem dizer uma só palavra, apenas um abraço. Eu não queria falar sobre o assunto. Eu não queria ter de explicar vez após vez o que tinha acontecido. Não precisava de perguntas esquadrinhadoras, como se eu tivesse deixado de fazer alguma coisa. Eu era a mãe dela; eu teria feito qualquer coisa para salvar a minha Rachel.”

Doug prosseguiu: “Às vezes fizeram-se alguns comentários inocentes que não ajudaram em nada, tal como: ‘Como cristãos, não devíamos ficar pesarosos como os outros.’ Bem, eu sei disso. Mas, posso garantir-lhes que, quando se perde um filho, naquele momento nem mesmo o firme conhecimento da ressurreição vai impedi-lo de chorar e de prantear por ele. Afinal de contas, Jesus chorou quando Lázaro morreu, e Jesus sabia que iria ressuscitá-lo.”

Anne acrescentou: “Outro comentário que achamos que não ajudou em nada foi: ‘Sei como se sente.’ Reconheço que se dizia isso com a melhor das intenções, mas, a menos que tal pessoa já tivesse perdido um bebê, como eu tinha perdido, não existiam meios de ele ou ela saber como eu me sentia. Os sentimentos são algo muito pessoal. Na verdade, a maioria das pessoas pode mostrar condolências, mas raríssimas podem demonstrar real empatia.”

Despertai!: “Será que a morte de Rachel gerou alguma tensão entre vocês?”

Anne respondeu prontamente: “Gerou, sim. Acho que tivemos diferentes modos de prantear a nossa perda. Doug queria espalhar fotos de Rachel por toda a casa. Essa era a última coisa que eu queria. Não precisava destes lembretes. Não queria dar a entender que estávamos cultuando a sua morte. De qualquer forma, Doug entendeu meus sentimentos, e retirou as fotos.”

Despertai!: “Qual foi a reação da pequenina Stephanie, irmã de Rachel?”

“Por breve período depois da morte de Rachel, Stephanie ficou com medo de ficar doente. Receava que qualquer doença também a matasse. E, no início, ela não ficava muito contente de ter de ir dormir. Mas ela sobrepujou isso. Quando tivemos Amy, nossa filha seguinte, Stephanie estava sempre temerosa por ela. Não queria que ela morresse, e qualquer tosse ou fungadela do nariz a deixava nervosa quanto à condição de sua irmã.”


Amparados por Sólida Esperança
Que dizer do emprego de sedativos durante o período de pesar? O patologista Knight escreve: “Tem-se mostrado que a alta sedação pode ser contraproducente, se for uma barreira para o processo normal de pranto e de pesar. A tragédia precisa ser suportada, sofrida, e, com o tempo, racionalizada, e retardar isso indevidamente por nocautear a mãe com drogas medicamentosas pode prolongar ou distorcer tal processo.”
Despertai! perguntou a Doug o que havia amparado tanto a ele como a Anne em todo o seu pesar.

“Lembro-me de que o discurso fúnebre foi útil. O que mais nos confortou naquele dia foi a nossa esperança cristã quanto à ressurreição. Sentimos profundamente a sua perda, mas tal dor foi amainada pela promessa de Deus, mediante Cristo, de vê-la de novo aqui na Terra. Vimos, na Bíblia, que os efeitos da morte são reversíveis. O orador mostrou, pela Bíblia, que Rachel não estava no céu ‘como um anjinho’, nem no Limbo, aguardando ser liberada para o céu. Ela estava simplesmente dormindo na sepultura comum da humanidade.” — Veja João 5:28, 29; 11:11-14; Eclesiastes 9:5.

Despertai!: “Como responderia àqueles que dizem que ‘Deus a levou’?”

“Deus teria de ser egoísta para levar para longe dos pais os seus filhos pequeninos. A resposta da Bíblia, em Eclesiastes 9:11, é esclarecedora: ‘O tempo e o imprevisto sobrevêm a todos eles.’ E Salmo 51:5 nos diz que todos somos imperfeitos, pecaminosos, desde o momento da nossa concepção, e que o imprevisto que sobrevem a todos os homens, atualmente, é a morte, resultante de várias causas. Às vezes a morte assola antes do nascimento, resultando num natimorto. No caso de Rachel, ela contraiu algo, como bebê, que dominou seu organismo — um imprevisto.”

Diariamente, milhares de lares registram a perda dum filho. Muitos destes são bebês que morrem de SIDS. Compassivos amigos, médicos, equipes hospitalares, e conselheiros, podem significar muito nestas situações trágicas. Também, o conhecimento exato dos propósitos de Deus para com a humanidade pode realmente sustentar os pais pesarosos.
Se quiser saber mais sobre a promessa de Deus a respeito duma ressurreição para a vida perfeita na Terra, queira sentir-se à vontade para contatar as Testemunhas de Jeová em sua localidade. Elas terão prazer em ajudá-lo, sem qualquer compromisso, com o conforto provindo da Palavra de Deus.


Sugestões Para Ajudar Pais Que Pranteiam - O Que Pode Fazer

1. Torne-se disponível. Prepare refeições. Limpe a casa. Execute pequenas tarefas. Cuide dos outros filhos.

2. Expresse genuína empatia e pesar diante da perda deles.

3. Deixe que expressem seus sentimentos e seu pesar, conforme julguem apropriado.

4. Incentive-os a ser pacientes com eles mesmos, e não exigirem demasiado de si próprios.

5. Deixe que falem sobre o filho que perderam, tanto quanto quiserem, e você deve falar sobre as qualidades enternecedoras do filho deles.

6. Dê atenção especial aos irmãos e às irmãs da criança falecida, pelo tempo que for necessário.

7. Alivie-os de sentimentos de culpa. Confirme que eles fizeram tudo que poderiam ter feito. Sublinhe outras coisas que você sabe ser verdadeiras e positivas quanto aos cuidados que tinham pelo filho.


O Que evitar

1. Não os evite por não se sentir à vontade. Apenas um abraço de condolências é melhor do que a ausência.

2. Não diga que sabe como eles se sentem — a menos que também tenha perdido um filho.

3. Não faça decisões, nem lhes diga como eles deveriam se sentir ou o que deveriam fazer.

4. Não fique calado quando eles mencionarem o filho morto. E não tenha receio de mencionar o filho — eles querem ouvir coisas boas a respeito dele.

5. Não tire conclusões errôneas ou lições a serem aprendidas da perda dum filho. No pesar deles não existe bonança depois desta tempestade.

6. Não lembre a eles que, pelo menos, têm outros filhos, ou podem vir a ter outros. Nenhum outro filho é um substituto ou ocupará o lugar dele.

7 Não aumente os sentimentos de culpa dos pais por procurar falhas nos cuidados recebidos em casa, ou no hospital.

8. Não use banalidades religiosas que ponham a culpa em Deus.

(Baseado, em parte, numa lista preparada por Lee Schmidt, da organização “Parent Bereavement Outreach”, Santa Mônica, Califórnia, EUA.)


Fonte: Despertai em língua portuguesa – 22/01/1988
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